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SOMOS VERDADEIRAMENTES DONOS DOS ANIMAIS?

Por Robson Fernando*
Dois vícios infelizmente ainda comuns entre defensores de animais e legisladores, sem falar da população como um todo, são considerar a tutela e responsabilidade de uma pessoa sobre seu bicho de estimação uma “posse” e chamar humanos que cuidam e tutelam animais domésticos de “donos”. Quem nunca falou ou ouviu expressões como “o dono desse cão...” ou “...em prol da posse responsável de animais”? É esse uso extremamente inadequado e vicioso, senão especista, dessas palavras que todos precisam repensar e abolir da relação entre os humanos e os animais não-humanos.Há de se responder às perguntas: por que é inadequado dizer que um tutor de bichos de estimação é dono deles? Por que não é bom falar “o dono do bicho”? Por que não falar de posse de animais domésticos?Em primeiro lugar, evoco a semântica denotativa, a que não tem sentido figurado (conotativo). As palavras “dono” e “posse” denotam propriedade. O dono de algo é proprietário desse mesmo algo. Quem tem posse tem propriedade sobre o objeto possuído. Seria ético dizer que temos propriedade sobre nossos bichos de estimação?Para aumentar a minha objeção sobre o uso dessas palavras sobre a relação homem-bicho, invoco suas definições nos dicionários “Priberam/Texto Editores” e “Aurélio”. Mesmo que você contrarie dizendo que a língua portuguesa é flexível e não se prende às definições contidas em um dicionário, eu mostro-as com o propósito de apontar o sentido original dos vocábulos referidos.
Segundo o Priberam/Texto Editores:DONO (do Lat. domnu por dominu, senhor): s. m., senhor de alguma coisa; proprietário; possuidor.POSSE (do Lat. posse): s. f., retenção ou fruição de uma coisa ou direito; estado de quem possui ou frui uma coisa em seu poder; Jur., ação ou direito de possuir um título de propriedade; ato pelo qual alguém é investido ou investe outrem num direito, num cargo ou dignidade; (no pl.) haveres, bens, riqueza; (no pl.) aptidão, capacidade.
Segundo o Aurélio:DONO: s.m. 1. Proprietário, senhor. 2. Chefe (de uma casa).POSSE: s.f. 1. Detenção duma coisa com o fim de tirar dela qualquer utilidade econômica. 2. Investidura em cargo público, ou posto honorífico, etc., ou a respectiva solenidade.Note que não há nessas atribuições originais as posições de guarda ou tutela, tutor ou responsável de animais. Isso dá razão aos argumentos que consideram posse de animais sendo sua relegação a bens, objetos de valor e de usufruto de seu proprietário, e dono sendo de fato um proprietário. E ambas as palavras convergem num sentido semântico: propriedade.Pergunto então: é ético dizer-se proprietário de animais domésticos? É válido ter como propriedade, como meros bens de valor, seres dotados de sentimentos, personalidade, senciência, passibilidade ao sofrimento?Você, possivelmente um defensor animal, dirá que fala “posse” no sentido de tutela, de criação paternal dos bichos, sem intencionar reduzi-los a propriedades. Mas então eu digo: você, que não tolera o especismo, iria se referir à guarda de uma criança órfã adotada como posse também? Você diria “Vamos garantir a posse responsável de crianças abandonadas”? Ou acha essa frase absurda? Se disser que opta pela segunda alternativa, está admitindo que ainda comete deslizes especistas apesar de sua filosofia de zelo ético pelos animais.
E, quanto à palavra “dono”, que infelizmente muitos defensores ainda usam, pergunto algo parecido: você chamaria o tutor, ou pai adotivo, de um jovem deficiente mental adotado em alguma casa de cuidados para deficientes mentais, sendo este incapaz de semear uma vida independente, de dono dele? Ué, esse jovem, independente de ter sentimentos, dor e protopersonalidade, tem prejudicada ou não tem a maioria das capacidades estritamente humanas de raciocínio pleno e cognição complexa, está num status similar ao de um animal não-humano como um gorila ou um cão. Por que então os animais podem ter “dono” enquanto pessoas com capacidades parecidas com a de bichos não podem de jeito nenhum? Por que apenas humanos têm direito à dignidade de não poder ter dono ou ser posse?

*Estudante e articulista amador, é engajado na transmissão de uma nova visão de mundo, livre de absurdos e valores violentos tratados como normais, para as pessoas desde setembro de 2007. Texto completo em: http://www.artigos.com/artigos/sociais/direitos-dos-animais/%93dono%94-e-%93posse%94,-palavras-que-nao-combinam-com-os-animais-3396/artigo

O CLIMA E OS ANIMAIS

O comportamento dos animais pode se tornar minha previsão do clima?
O que acontece aos animais antes de tempestades ou no começo d­o inverno? Sons infra-sônicos podem ser responsáveis pelas mudanças de comportamento, porque furacões e trovões produzem ondas sonoras nessas freqüências. Mas também existe a questão das mudanças na pressão barométric­a (do ar) e da pressão hidrostática (da água).

Normalmente, essas pressões apresentam ligeira flutuação. Os animais têm forte sintonia para com mudanças acima das flutuações normais, que podem sinalizar fortes mudanças do clima. Essas variações podem ativar o mecanismo de sobrevivência de um animal. A reação instintiva do animal é procurar abrigo diante de clima potencial violento.

Por exemplo, condições anormais como furacões causam grande decréscimo na pressão do ar e da água (pelo menos em profundidades menores). Os animais expostos e acostumados a certos padrões podem sentir rapidamente essas mudanças. e uma vez mais, de maneira semelhante ao comportamento observado entre os animais no tsunami, eles fogem em busca de segurança.


Os pesquisadores já observaram esse tipo de comportamento entre um grupo de tubarões, enquanto acompanhavam seus movimentos durante a tempestade tropical Gabrielle e o furacão Charlie. Depois que a pressão atmosférica caiu em apenas alguns milibars -- ocorrência que causa mudança similar na pressão hidrostática --, diversos tubarões nadaram para águas mais profundas, onde encontraram mais proteção contra a tempestade [fonte: Vatalaro].

Outras aves e abelhas também parecem sentir essa queda na pressão barométrica e reagem instintivamente procurando abrigo em seus ninhos ou colméias. As aves também usam sua habilidade de sentir a pressão do ar para determinar quando é seguro migrar.

E quanto às previsões de longo prazo, sobre a severidade de um inverno, por exemplo? Parece que as marmotas não prevêem coisa alguma. A duração da hibernação tende a se relacionar ao relógio biológico do animal e à gordura acumulada, e não à sua capacidade de avaliar tendências de temperatura.

Houve propostas interessantes sobre a validade de certos conhecimentos folclóricos quanto a animais. Alguns indígenas norte-americanos acreditam que os ursos negros escolham diferentes locais para dormir em suas cavernas a depender de quanto o inverno será frio, ou que os pêlos nas patas de um coelho são mais fofos em caso de neve pesada adiante. Embora existe a chance de que isso seja simples coincidência, muita gente aponta que a ciência se baseia em observações, e o folclore ou a cultura de povos tradicionais se baseia em séculos de observação -- ainda que não conduzida em circunstâncias controladas.

Em última análise, o comportamento desses animais talvez não se prove tão útil para os seres humanos. Os animais mudam freqüentemente de comportamento e não existe maneira prática de decifrar se uma mudança de comportamento se relaciona a desastre natural iminente ou a uma reação a algo completamente não conectado.

Também há diferenças entre espécies e entre indivíduos nas espécies, em sua sensibilidade às flutuações climáticas. Enquanto alguns animais parecem bons preditores do clima, outros da mesma espécie não sentem qualquer prenúncio.

Mas se você estiver em uma floresta e presenciar uma fuga desabalada como a que o desenho animado "Bambi" mostra, melhor acompanhar a multidão, e o mais rápido que puder.

Jessica Toothman. "HowStuffWorks - Os animais podem prever o clima?". Publicado em 05 de maio de 2008 (atualizado em 16 de outubro de 2008) http://ciencia.hsw.uol.com.br/animais-prevem-clima2.htm (17 de dezembro de 2008)